As noites de observações

Posted: Janeiro 16, 2014 in 1 - ESO ASTRONOMY CAMP 2013 - Diário de Bordo

Por Demetrius Leão 

noites telescópios

Por duas noites fizemos observações do céu nos telescópios! E com tempo quase que totalmente limpo. Foque na expressão “quase”. Os Alpes italianos são muito gelados – às vezes o tempo fechava um pouco, sobretudo no horizonte. Em uma noite chegou a nevar, e o céu ficou todo escuro, e, nesse dia, não houve a contemplação dos astros. Embora eu já tivesse participado de observações ao ar livre no inverno chileno, ficar ao relento numa situação dessas é um desafio! Não teve segunda pele nem roupas polares que dessem jeito no frio. Embora não houvesse um termômetro ao alcance, seguramente as temperaturas estavam inferiores à -10°C.

O Observatório Astronômico do Vale Aosta não é muito grande, mas é um espaço muito bonito e aconchegante. Antes de ir ao terraço do observatório, onde estavam os telescópios, ficamos mais ou menos uma meia hora num terreno escuro próximo, totalmente coberto de neve, observando algumas particularidades do céu do norte. Fiquei bem concentrado na imagem da estrela Polaris, a alfa da constelação da Ursa Menor, que está localizada praticamente sobre o Pólo Celeste Norte. Um astrônomo que trabalha no local, com auxílio de um laser de alta potência, mostrou diversas particularidades do céu naquele momento, como a constelação da Cassiopeia, que ora parece com um “m”, ora um “3”, devido ao seu movimento em torno do polo. E de novo: é uma sensação no mínimo inesquecível sentir um vento tão gelado entrando nos pulmões.

Nos dois dias em que observamos os astros com os telescópios, ficamos por volta de uma hora com olhos mais atentos que os ouvidos. Alvoroço dos adolescentes (e meu) nos telescópios e computadores. Dentre os astros focados, os mais marcantes foram Júpiter e suas grandes luas, Sírus e o aglomerado estelar M45 – as populares Plêiades. Pode até ser uma coisa corriqueira uma atividade de observação com telescópios, mas a qualidade dos equipamentos disponíveis, o frio, o barulhinho dos telescópios eletrônicos mirando os objetos no céu, as divagações sobre o futuro, a contemplação das constelações, tudo isso contribuiu para eternizarem esses momentos.

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